As canetas emagrecedoras transformaram o tratamento da obesidade no Brasil. Só em 2025, o mercado de análogos de GLP-1 movimentou mais de R$10 bilhões no país, e as projeções para 2026 apontam crescimento ainda maior. Com tanta gente usando Ozempic, Mounjaro e similares, surgiu uma dúvida prática que poucos profissionais discutem abertamente: o que acontece com a nutrição de quem come muito menos por causa da medicação?
A resposta curta: o corpo continua precisando dos mesmos nutrientes, mesmo ingerindo menos comida. E é exatamente aí que a suplementação entra como aliada do tratamento, não como modismo.
Como o GLP-1 afeta a alimentação
Os medicamentos análogos de GLP-1, como semaglutida (Ozempic, Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro), imitam a ação de um hormônio intestinal que regula o apetite. Na prática, quem usa essas medicações sente saciedade muito mais rápido, tem menos fome ao longo do dia e acaba comendo volumes menores de alimento.
Esse mecanismo é o que promove a perda de peso. Mas traz um desafio silencioso: comendo menos, o organismo recebe menos vitaminas, minerais, proteínas e fibras. Em pessoas que já chegam ao tratamento com deficiências prévias, algo comum em quem tem sobrepeso ou obesidade, esse déficit pode se acentuar durante o uso da medicação.
Não é um efeito colateral raro ou exagerado. É uma consequência lógica de comer menos, e pode se manifestar como fadiga, queda de cabelo, fraqueza muscular, alterações de humor e imunidade baixa.
O risco real de perder músculo
A perda de massa muscular é uma das preocupações centrais no uso de GLP-1. Quando o corpo entra em déficit calórico intenso, ele não queima só gordura. Uma parte da energia pode vir da degradação do próprio tecido muscular.
Estudos indicam que até 40% da perda de peso total durante o uso dessas medicações pode corresponder a massa magra, incluindo músculo esquelético. Isso significa que, sem estratégia nutricional, uma pessoa pode terminar o tratamento mais leve na balança, mas com menos músculo, mais flacidez e metabolismo mais lento.
O chamado ‘Ozempic face’, expressão usada para descrever o rosto envelhecido e flácido após emagrecimento rápido, é uma das manifestações visíveis dessa perda de tecido magro. É evitável, mas exige atenção desde o início do tratamento.
Quais suplementos fazem diferença
Não existe protocolo universal. As necessidades variam conforme o perfil de cada pessoa, e qualquer suplementação deve ser orientada por médico ou nutricionista. Dito isso, há alguns nutrientes que a literatura científica aponta como prioritários para quem usa análogos de GLP-1:
Proteína. A ingestão adequada de proteína é o fator mais importante para preservar a massa muscular durante o emagrecimento. Quem não consegue atingir o aporte ideal só pela alimentação pode recorrer a suplementos proteicos, como whey protein ou proteínas vegetais. A dose adequada deve ser calculada individualmente, levando em conta peso, composição corporal e nível de atividade física.
Creatina. Além do benefício clássico para massa muscular e força, pesquisas recentes indicam que a creatina pode ajudar na clareza mental. O déficit energético causado pela restrição calórica pode comprometer o foco de algumas pessoas, e a creatina é considerada um suporte útil nesse contexto.
Complexo B, vitamina D, ferro, magnésio e zinco. Esses são os micronutrientes mais frequentemente deficientes em quem usa medicações que reduzem o apetite. Cada um deles cumpre funções críticas, da produção de energia até a saúde óssea e a imunidade. A suplementação deve ser baseada em exames de sangue, não em suposições.
Fibras. Os efeitos gastrointestinais mais comuns no uso de GLP-1, como constipação e desconforto abdominal, estão ligados parcialmente à baixa ingestão de fibras. Aumentar a oferta de fibras, seja pela alimentação ou por suplementos, ajuda a regularizar o intestino e contribui para o equilíbrio da microbiota.
Ômega 3. Com perfil anti-inflamatório bem documentado, o ômega 3 é indicado em contextos de emagrecimento por apoiar a saúde cardiovascular e contribuir para a manutenção da composição corporal.
Suplementação não substitui acompanhamento
É importante deixar claro: suplementar sem orientação pode ser inútil ou, em alguns casos, inadequado. Megadoses de vitaminas sem necessidade real não trazem benefício adicional. O ideal é partir de uma avaliação laboratorial que identifique as deficiências reais de cada pessoa.
O papel do médico e do nutricionista nesse contexto é insubstituível. São eles que vão indicar quais suplementos fazem sentido, em que doses e por quanto tempo. A farmácia magistral entra como parceira nessa estratégia, oferecendo a possibilidade de fórmulas personalizadas para cada necessidade específica.
Emagrecimento saudável é nutrição completa
Usar uma caneta emagrecedora não é só uma questão de perder peso na balança. É uma oportunidade de reorganizar a relação com a alimentação e garantir que o processo aconteça com saúde. Quanto mais completo for o suporte nutricional durante o tratamento, melhores serão os resultados a longo prazo e menores serão os riscos de efeito rebote ou perdas indesejáveis.
Quem cuida da nutrição enquanto emagrece tem mais energia, preserva melhor a musculatura e chega ao final do tratamento em condições de manter o resultado.
Se você usa ou pretende iniciar um tratamento com análogos de GLP-1, converse com seu médico ou nutricionista sobre a necessidade de suplementação. Na FarmaFórmula, é possível encontrar fórmulas personalizadas e suplementos de qualidade, com orientação farmacêutica para apoiar cada etapa do seu tratamento. Explore outros conteúdos do blog e continue se informando com responsabilidade.


